Espinheira-santa no combate à gastrite

Postado em 20 de março de 2019 | Autor: Sula de Camargo

Com poderes medicinais valiosos, a planta é capaz de diminuir a acidez do estômago de uma forma muito parecida aos remédios utilizados para esta finalidade

retrato de sula camargo

Sula de Camargo é nutricionista, docente e palestrante. Vice-presidente da Associação Paulista de Fitoterapia (APFit).

Você já ouviu falar nessa plantinha? Com poderes medicinais valiosos, a espinheira-santa pode ser usada no tratamento das gastrites e úlceras pépticas. O nome botânico Maytenus ilicifolia facilita para encontrá-la em qualquer lugar de nosso país e, apesar de ser comum principalmente na região Sul, sua folha seca é amplamente comercializada, sendo usada na forma de chá. O preparo é simples: basta cozinhar a folha por 10 minutinhos em fogo baixo e manter em repouso por mais cinco antes de coar e deixá-la pronta para consumo.

O poder da espinheira-santa é tamanho que ela é capaz de diminuir a acidez do estômago de uma forma muito parecida aos medicamentos utilizados para esta finalidade. Ela é responsável por aumentar o muco e os antioxidantes para proteger o órgão e ainda desinflama a região afetada pela doença, tendo ação imunomoduladora. Alguns estudos apontam que dificulta a permanência da bactéria Helicobacter pylori protegendo a nossa saúde e minimizando o risco de câncer de estômago.

Na Argentina, tanto folhas quanto talos cozidos são acrescentados no mate ou chimarrão em casos de úlceras com sangramento. A planta ainda ganhou projeção na medicina brasileira em 1922 a partir das pesquisas pela Faculdade de Medicina do Paraná, que sua identificou a ação antiulcerogênica em um grupo de pacientes. Pela sua eficácia, ela faz parte da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename) e pode ser distribuída gratuitamente em alguns serviços públicos de saúde desde que haja a compra pelo município e a prescrição.

Mas é importante ressaltar que antes de usá-la para bens de saúde, é preciso procurar o médico para que ele faça o diagnóstico da doença e veja se realmente é uma gastrite. Já no tratamento, o nutricionista pode auxiliar e orientar as doses corretas para o seu caso e tempo de uso da planta.

Vale lembrar ainda que a espinheira-santa é contraindicada na gravidez, lactação e para crianças, por ausência de estudos. O uso inadequado pode causar prejuízos à sua saúde. Não cometa este erro, evite a automedicação. O uso da planta inadequadamente pode causar cefaleia, sonolência, boca seca, náuseas, gosto estranho na boca, tremor e dor articular nas mãos, poliúria, cistite, diarreia ou constipação.

Outra dica importante é não comprar a planta medicinal em qualquer lugar – é importante adquirir de empresas certificadas e que comercializem produtos de qualidade. Observe na embalagem o nome botânico e a parte da planta, se é correspondente e se não está fungada.

Referências bibliográficas:

Alonso J. Tratado de fitofármaco e nutracêutico. 1 ed. São Paulo: AC Farmacêutica; 2016.

Tabach R, Duarte-Almeida JM, Carlini EA. Pharmacological and Toxicological Study of Maytenus ilicifolia Leaf Extract Part II — Clinical Study (Phase I). Phytother. Res. 2017. Published online in Wiley Online Library. DOI: 10.1002/ptr.5816.

Jesus WMM, da Cunha, TN. Estudo das propriedades farmacológicas da espinheira santa (Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek) e de duas espécies adulterantes. Revista Saúde e Desenvolvimento. 2012; 1: 20-46.

Santos-Oliveira R, Coulaud-Cunha S, Colaço W. Revisão da Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek, Celastraceae. Contribuição ao estudo das propriedades farmacológicas. Brazilian Journal of Pharmacognosy. 2009; 19 (2B): 650-659.